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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

postheadericon Resenha: Marta por Breno Melo

Marta
Breno Melo

Editora: Schoba
ISBN: 9788580130140
Categoria: Romance
Edição: 2010
Número de páginas: 216


Sinopse: Marta é bipolar, adolescente e tenta viver uma história de amor. Um velho psiquiatra, disposto a produzir Literatura leiga e fugir das teses para o meio acadêmico, narra os fatos mais significativos da vida de Marta, abrangendo toda a sua primeira adolescência, até que possa caracterizá-la como bipolar tipo I. O mais original é que ele mostra Marta às voltas com a vida que todos levamos — tentando viver sua própria história de amor — e não apenas com o transtorno em si ou tratando dele.

E a cada segundo ao lado de João eu vivia dez mil anos de alegria, cem milhões de contentamentos, sem que isso entretanto fosse o bastante, porque eu queria sempre mais, desejando alargar os segundos em minutos, as horas em dias, os meses em séculos... p. 156

Olá, caros leitores!! Hoje trouxe para vocês a resenha de um livro de autor nacional, através do Booktour que estou participando no blog Minha Vida Literária da querida Aione Simões. Eu quero primeiramente agradecer a Mi por ter me convidado para participar do Booktour deste livro. Uma pena não ter apreciado muito a história e vou explicar as razões nesta resenha.

Marta conta a história da personagem que dá nome ao título, uma jovem linda e meiga que sofre do transtorno Bipolar do tipo I. A protagonista e mais duas amigas provenientes da cidade de La Falda, decidem morar em Córdova para continuar os estudos e assim que chegam já aproveitam para conhecer o que há de melhor na cidade com sua vida noturna bastante agitada.

Marta sempre foi apaixonada por João, mas alguns fatores contribuíram para que ambos não estivessem mais juntos e o leitor passa a acompanhar a obsessão dela pelo jovem, o que para mim não caracteriza a bipolaridade outrora mencionada na história, como algo que justificasse suas atitudes durante a adolescência. Muito pelo contrário, a personalidade dela em nada parece com a de alguém que seja diagnosticada com esse distúrbio. Não sou psicóloga, mas pesquisando um pouco a respeito cheguei a conclusão de que uma pessoa bipolar apresenta oscilações de humor, ora deixando-a comunicativa e alegre, ora apresentando melancolia e retraimento. Acredito que Marta se comporta como uma jovem muito apaixonada e sonhadora, que passa a tomar certas atitudes, que a meu ver só lhe causariam mais sofrimento e dor.

As amigas de Marta preferem curti a vida se envolvendo com alguns homens de forma descompromissada e um tanto quanto libidinosa, não têm amor próprio, apenas se desvalorizam diante dos homens sem se importar com as consequências. A amizade entre elas é forte e verdadeira, ao mesmo tempo em que passa uma impressão politicamente incorreta e ambígua na relação das três personagens. Acho estranho algumas atitudes entre elas, ou você considera normal beijar na boca de suas amigas de vez em quando?Eu pelo menos posso ser taxada de careta e tudo o mais pelas pessoas, mas não permitiria certos tipos de intimidades como essa, arghhhh. Comigo não violão! rs

O livro passa por uma reviravolta quando Marta compartilha toda a sua história com João para uma amiga, a Rosana. Desta forma, o leitor ficou sabendo como eles se conheceram e tiveram um rápido envolvimento durante a adolescência. Eu curti muito essa parte, pude perceber o quanto João era merecedor dessa sublime sentimento que ela nutria por ele e que antes imaginava que era uma completa perda de tempo. O fato é que aos poucos eu passei a torcer muito pela união dos dois, para mim formavam um bonito casal. Entretanto, Marta acabou adoecendo e teve que voltar para a casa dos pais em La Falda. Isso proporcionou uma aproximação entre ela e seu primo Vasco, que sempre foi apaixonado por ela e tinha a aprovação da família. Logo, fui surpreendida com um desfecho inesperado e um tanto quanto forçado que me deixou bastante frustrada. O final pode ser interpretado como confuso ou despropositado. Essa é a minha opinião pessoal, mas cada um interpreta à sua maneira ao tirar as suas próprias conclusões no final da leitura.

Não curti a narrativa escolhida pelo autor, é em terceira pessoa sob a visão de um velho psiquiatra que queria propor uma Literatura leiga que fugisse das teses para o meio acadêmico. Entretanto, muitas passagens do livro são explicadas de forma excessivamente didática como se estivéssemos numa sala de aula. Não gosto quando a capacidade de discernimento do leitor é subestimada na história. Senti que o narrador queria nos confundir ao fugir do foco com suas teorias e reflexões sobre psicanálise, filosofia e mitologia e isso contribuiu para tornar a leitura mais cansativa e enfadonha.

Os personagens não me cativaram, talvez se a narrativa fosse em primeira pessoa possibilitasse mais dinamismo e profundidade na história, pelo menos eu teria uma percepção diferente com relação aos sentimentos conflitantes de Marta. O desfecho final não foi como eu esperava, e deixou lacunas desnecessárias na história, como por exemplo a misteriosa doença de Marta, que me fez ter várias conjecturas por causa do seu descuido com o próprio corpo.


Enfim, se prefere um livro mais complexo e denso certamente vale a pena conferir de perto a história de Marta. O livro possui alguns deslizes de revisão, mas nada que interfira durante a leitura.
Espero que tenham gostado da resenha e fiquem à vontade para comentar e expressar a opinião de vocês a respeito do livro!!







Até à Próxima!!
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