quarta-feira, 24 de novembro de 2010

postheadericon Ghost-Writer - O escritor fantasma por trás dos livros

Ghost-writer é o profissional que, tendo escrito uma obra ou texto, não recebe os créditos de autoria - ficando os direitos com a pessoa que o contrata ou compra o trabalho. O autor que não tem tempo para se dedicar a sua obra por lançar mão dos serviços de um bom profissional, que inclusive é disponibilizado por algumas editoras

Comecei esse post definindo o que é Ghost-Writer, e o meu interesse em saber mais a respeito aumentou após receber um e-mail em que ofereciam esse serviço para mim, e sabe lá Deus como descobriram meu endereço eletrônico!! Obviamente, eu não entrei em contato com eles, pois não tenho interesse pelo serviço oferecido.
Eu sempre tive a impressão de que alguém colaborava com os autores na criação de seus livros nos bastidores, ou como explicar o lançamento sucessivo de livros de um determinado autor em apenas um ano? Será que o escritor tem uma fonte inesgotável de idéias nesses sabe-se lá trinta anos de carreira, por exemplo? Convenhamos, ele provavelmente deve ter lançado mão alguma vez dos serviços do escritor fantasma... Esse assunto é polêmico, porque envolve aspectos éticos no universo literário, pois a pessoa em questão atua de forma sigilosa, e somente o autor que o contratou é que receberá os respectivos direitos autoriais, e a possível fama e glória proporcionadas pela repercussão de sua obra no mercado editorial. Então, quem se dispõe a fazer esse serviço já sabe as consequências de viver completamente no anonimato, e muitos atuam também na elaboração dos discursos de políticos e chefes de Estado. 
Nos Estados Unidos, por exemplo, um dos mais conhecidos escritores de discurso, ou seja, um Speechwriter, foi Ted Sorensen, que atuou como assessor do Presidente Kennedy e autor da célebre frase do discurso de posse de Kennedy: "Não pergunte o que seu país pode fazer por você, mas o que você pode fazer pelo seu país" O nosso presidente Lula já passou por muita saia justa ao deixar de lado o discurso pronto e discursar para a platéia de improviso, inclusive isso gerou um certo desconforto e fonte para as matérias de jornais que trataram sobre o assunto. 
Saindo da política, temos o exemplo em Hollywood, onde George Lucas utilizou os serviços de um Ghost-Writer, Alan Dean Foste, para fazer a versão em livro da saga Star Wars. A ex-prostituta Bruna Surfistinha aproveitou o trabalho de Jorge Tarquino para formatar seu best-seller "O Doce Veneno do Escorpião - O Diário de uma Garota de Programa". O livro alcançou a marca de 85 mil cópias vendidas e permaneceu por 17 semanas na lista dos livros mais vendidos do país!
No site Ghost Writer, o interessado pode conhecer melhor os serviços oferecidos com a garantia de sigilo total sobre tudo o que é acordado entre as partes. Trata-se então, de um mercado regido pela lei do silêncio, e uma aura de mistério cerca essas pessoas. O serviço de ghost-writer é anunciado em jornais, revistas e Internet, mas geralmente o primeiro contato com o cliente é por e-mail. O custo não sai por menos de R$5 mil e a cifra pode aumentar a depender do texto que será trabalhado. Quando o Ghost-Writer entrega o trabalho final e recebe seu pagamento, ele desaparece rapidamente e não deixa rastros. Como ele não tem direitos sobre a autoria do livro, não receberá royalties e muito menos os prêmios literários, ou seja, os possíveis louros de um sucesso de vendas. 
O trabalho do escritor fantasma já gerou muita discussão na comunidade científica. Uma assessoria solicitou para uma pesquisadora médica que assinasse a autoria de um artigo de sua especialidade e de interesse para a indústria famacêutica. Como ela se recusou, a assessoria conseguiu outro cientista para assumir a autoria do artigo, mas para azar deles a mesma pesquisa foi parar nas mãos da pesquisadora que recusou inicialmente, porque ela é membro de uma comissão que avalia os artigos do Jornal of General Internal Medicine (JGIM). Quando ela descobriu as verdadeiras intenções da indústria farmacêutica, prontamente redigiu um artigo relatando o caso para que todos tomassem conhecimento. A indústria em questão se defendeu da acusação, informando que é comum as empresas do setor utilizarem os serviços de um escritor profissional para desenvolver seus artigos, o que não foi aceita pelo editor do jornal. 
Casos como esse é preocupante, porque artigos científicos podem influenciar não somente a mídia do setor, como também toda a sociedade, e atitudes como essa podem repercurtir de maneira negativa. A questão é saber os limites éticos ao assumir a autoria de um texto escrito por outra pessoa apenas para buscar prestígio, ou benefícios financeiros. 

Eu assisti um filme com a atriz Kate Hudson que trata justamente sobre esse tema: Alex e Emma - Escrevendo sua História de Amor


Alex Sheldon (Luke Wilson) é um autor em apuros. Além de estar passando por bloqueio de escritor, o que lhe impede de terminar seu romance, deve US$ 100 mil a agiotas cubanos, que lhe deram o prazo de 30 dias para que pague a dívida ou será morto. O único meio visto por Alex para conseguir esta quantia dentro do prazo é concluindo seu livro. Para tanto ele contrata Emma Dinsmore (Kate Hudson), uma tipógrafa, para ajudá-lo a concluir o romance. Após dias e noites de árduo trabalho, realidade e ficção começam a se mesclar e eles acabam se apaixonando.


Qual o escritor que nunca passou por um bloqueio? Eu já passei e sei bem (Deus do céu) o que é isso. Tudo bem que ela é uma tipógrafa, mas ela interpretava tudo o que ele falava sobre a história e redigia com suas próprias palavras. Digamos que ela atuou também como uma escritora fantasma sim, de certa forma. Eu coloquei o exemplo do filme só para ilustrar. Posso citar também outro filme que aborda o tema como O Escritor Fantasma, do diretor Roman Polanski. Eu nunca assisti esse filme, mas pode valer a pena conferir. 
O livro Budapeste, do compositor e escritor Chico Buarque, aborda a história de um Ghost-Writer que considera sua atividade uma maldição. Na história, José Costa, ou Zsoze Kósta, em húngaro, se apresenta como um escritor romântico que optou pelo anonimato por necessidade, mas que carrega em si o desejo de ser reconhecido. Como bem diz em um trecho do livro, sua intenção não consiste em ser reconhecido para chegar às capas de revista ao lado de belas mulheres, o reconhecimento é representado apenas por ser lido. Eu considero a meta mais importante de qualquer escritor antes mesmo do enriquecimento, na minha modesta opinião. 
O que eu busco como escritora iniciante é que os leitores possam se identificar com os livros, e que se transportem para um mundo imaginário onde cada um,a sua maneira, poderá imprimir seus próprios sentimentos por todas as páginas do livro.
Já vou colocar este livro na minha lista, com certeza!!

Eu acho válido para as pessoas que não tem tempo ou não tem habilidade para escrever livros, artigos, relatórios, biografias, conferências, etc, que utilizem o serviço de um bom profissional que poderá exprimir em palavras o seu estilo e o seu jeito de ser, desde que tenha condições de arcar financeiramente para isso. Portanto, deve-se antes de mais nada pesquisar bastante o currículo desse profissional e garantir a sua idoneidade junto ao mercado editorial antes de contratar o serviço.

Espero que tenham gostado do post e fiquem à vontade para exprimir sua opinião a respeito. Agora eu deixo uma pergunta para reflexão extraída do artigo "Escritores-fantasmas: eles existem!", por Márcio Lima (2006, Revista Paradoxo, online):


Será que seu autor preferido é mesmo escritor?


Fontes:
http://ghostwriter.com.br/

7 comentários:

  1. Adorei o post!
    E, ah, assista The Walking Dead com o estômago preparado! hehe
    Beijos

    ResponderExcluir
  2. Um tema muito interessante o deste post. Eu acho que contratar alguém para escrever para você tem lá suas vantagens e é totalmente válido. Mas, sou da opinião que o escritor deve amadurecer com seu texto e mais ainda: deve aprender sempre. Só se aprende escrevendo e estudando...

    Abraço, Mariana!

    ResponderExcluir
  3. Olá Kellen, que bom que gostou deste post! Apareça sempre que puder rsrs. Eu não assisto porque morro de medo!!

    Paul, eu também concordo que o escritor deve ser o autor do seu texto de verdade. Mas o que ocorre é que cada vez mais esse recurso é utilizado pelas editoras, e certamente para que o autor dê conta de sempre escrever seus livros num curto espaço de tempo para atender aos anseios do seu público. Mas eu prefiro escrever meus próprios textos sempre e embarcar na imaginção!
    Bjos!!

    ResponderExcluir
  4. ADOREI o post... Um caso famoso e atual disso, DIZEM que é a autora de Gossip Girl. Contam que It Girl não foi escrito por ela, mas por um GW. Será? ;)

    Muito boa a reflexão. Mesmo :)

    Beijocas!
    Juh Oliveto
    Livros & Bolinhos ~

    ResponderExcluir
  5. Tem ate filme falando disso né... O escritor Fantasma, que é mais recente!
    Acho que o unico caso que sei mesmo é o da Cecily de Gossip Girl!
    (escritorasteens.wordpress.com)

    ResponderExcluir
  6. Olá Evellyn, seja muito bem-vinda ao blog!! Espero que esteja gostando. Tentei seguir seu blog no wordpress, mas não achei o gadget de seguidores.
    Eu também soube disso através de outra blogueira sobre a autora de Gossip Girl. Babado, né? rsrs
    Bjos.

    ResponderExcluir

Obrigada pela visita e fique à vontade para comentar! Eu leio cada comentário e aprecio muito respondê-los!

Por favor, note que qualquer comentário negativo demais, com ataques pessoais ou spam serão apagados.

Desde já, agradeço sua compreensão!

Boa leitura!

7 comentários:

  1. Adorei o post!
    E, ah, assista The Walking Dead com o estômago preparado! hehe
    Beijos

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  2. Um tema muito interessante o deste post. Eu acho que contratar alguém para escrever para você tem lá suas vantagens e é totalmente válido. Mas, sou da opinião que o escritor deve amadurecer com seu texto e mais ainda: deve aprender sempre. Só se aprende escrevendo e estudando...

    Abraço, Mariana!

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  3. Olá Kellen, que bom que gostou deste post! Apareça sempre que puder rsrs. Eu não assisto porque morro de medo!!

    Paul, eu também concordo que o escritor deve ser o autor do seu texto de verdade. Mas o que ocorre é que cada vez mais esse recurso é utilizado pelas editoras, e certamente para que o autor dê conta de sempre escrever seus livros num curto espaço de tempo para atender aos anseios do seu público. Mas eu prefiro escrever meus próprios textos sempre e embarcar na imaginção!
    Bjos!!

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  4. ADOREI o post... Um caso famoso e atual disso, DIZEM que é a autora de Gossip Girl. Contam que It Girl não foi escrito por ela, mas por um GW. Será? ;)

    Muito boa a reflexão. Mesmo :)

    Beijocas!
    Juh Oliveto
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  5. Tem ate filme falando disso né... O escritor Fantasma, que é mais recente!
    Acho que o unico caso que sei mesmo é o da Cecily de Gossip Girl!
    (escritorasteens.wordpress.com)

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  6. Olá Evellyn, seja muito bem-vinda ao blog!! Espero que esteja gostando. Tentei seguir seu blog no wordpress, mas não achei o gadget de seguidores.
    Eu também soube disso através de outra blogueira sobre a autora de Gossip Girl. Babado, né? rsrs
    Bjos.

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